31 agosto 2005

De bebedeira e confusão

Juro dizer a verdade, nada a mais que a verdade, a não ser pela grandiosíssima mentira que contarei a todos. Mas excluindo-se tudo, o que sobra, pode-se dizer que é parte da verdade. Parte pequena, claro. Mas quem não tem pedras, que atire o primeiro pecado.
Para os que ainda não leram este, lá vai uma dica. Segure-a senão ela foge. Isso segure bem. Quase me esqueço. A dica é: eu sou um narrador onisciente. Nem tão onisciente assim, mas pode-se dizer que sim, ou não.
Pois bem, disse ao Juca, polaco louco esse Juca, bebia mais que um Galaxie mal regulado. Dizia já ter sido famoso.Jogador de futebol. Do Madureira. Mas como alguém pode ficar famoso jogando no Madureira? Bom, mas isso agora. Semana passada tinha sido cantor de renome. De fandango. Fandango! Como alguém fica famoso cantando Fandango? Fandango se canta? Retiro o que disse, não sou onisciente.
Pois bem, me respondeu. Aí deu-se a intriga. Dizia eu a ele, pois estando acompanhado não poderia dizer a mim mesmo, que a Semana de Arte Moderna de 22, tinha acontecido em 22. E o “futebolista” agora me contava, sobre quando estudava medicina e namorava uma dona.
Não pude suportar a audácia do borracho! Todo mundo sabe que o ano de 22 aconteceu em 22, portanto tudo que aconteceu em 22, aconteceu em 22. Não posso dizer que não estava mais pra lá do que pra cá, mas com Raul e Leminski na cova, alguém tem de fazer um esforço para beber a parte deles, que desperdício também é pecado, e alguém tem de manter a indústria nacional do tiro-e-queda. É até uma questão de patriotismo! Era Quaresma ou Cubas, o patriota? Não importa. O triste fim chegou para ambos. Sei é que Juca, polaco louco esse Juca, ficou indignado. Nos atracamos. Ele tentando me derrubar, como se eu não pudesse cair sozinho!!! Para citar Homero: “o prélio foi sangrento”, “a pugna terribilíssima”. Pelo menos foi o que me disseram.
Só sei que quando dei por mim, estávamos os dois caídos na sarjeta, numa possa de sangue e um punhal jazia entre nós. Até hoje não sei quem morreu naquela tarde, Seu Juiz, e , a propósito, isso aqui é o Juízo Final ou eu estou preso?

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá querido primo meu.
Muito bom esse texto ai, isso é seu?
Sem ter o q fazer fuçando no orkut achei seu blog, interessnate.
abraços.